OS BENEFÍCIOS DO PARTO NORMAL – ENTENDA POR QUE É NECESSÁRIO REDUZIR O NÚMERO DE CESÁREAS

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CESARIANA (FOTO: WIKIMEDIA COMMONS)

A partir desta segunda-feira (6 de julho), médicos precisarão justificar a realização de cesarianas pelo SUS e pelos planos de saúde. Isso visa reduzir o uso da cirurgia – no caso de planos de saúde, 84,6% dos partos é feito por cesárea. No SUS o número cai um pouco, indo para 40%. Mesmo assim, o número ainda é muito alto ao ser comparado com o recomendado pela Organização Mundial de Saúde – 15%, apenas quando o parto normal apresenta risco para a mãe ou para o bebê.

A própria OMS afirma que a cesárea apresenta três vezes mais riscos para a mãe, já que pode originar infecções e acidentes com anestesia, por exemplo. Já para o bebê, vários estudos foram feitos apontando que os benefícios de um nascimento por parto natural podem se apresentar a longo prazo – sabe-se, por exemplo, que quem nasce por parto natural têm uma tendência menor a desenvolver alergias.

Apesar de entrar em vigor agora, a medida foi anunciada em janeiro, ocasião em que o ministro da Saúde, Arthur Chioro, afirmou que os procedimentos cirúrgicos desnecessários correm o risco de não terem os custos cobertos – no caso, o médico e sua equipe ficariam sem receber. Auditorias seriam feitas para determinar se as cesáreas seriam, ou não, necessárias. Pacientes que, mesmo sem necessidade, queiram realizar a cesariana, precisarão arcar com os custos do próprio bolso.

Também ficou estabelecidos que operadoras de seguro de saúde devem enviar, quando a paciente solicitar, informações sobre a quantidade de partos (naturais e cesáreas) realizados pelo médico, operadora e hospital. Dessa forma ela pode analisar com calma quais são as suas melhores opções. Operadoras que se recusarem a prestar essas contas podem pagar uma multa de R$25 mil.

Mas por que tanta gente opta pela cesariana? E quais as formas e os benefícios do parto normal? Recuperamos uma lista que pode ajudar:

 

CESARIANA X PARTO NORMAL

 (lista compilada por Paola Bello em outra reportagem para a GALILEU)

CESÁREA

Como é feita: sempre no hospital e com anestesia, dos tipos ráqui ou peridural. É feita a partir de um corte de 8 a 10 cm no sentido transversal, na parte baixa do ventre, bem na borda dos pêlos pubianos. O procedimento é conduzido por uma equipe multidisciplinar com cirurgião obstetra, auxiliar do cirurgião, anestesista, neonatologista, enfermeiras e auxiliares. Além disso, é preciso que o hospital ou a maternidade tenha equipamentos para suporte à vida em situações críticas, como respirador, medicamentos, UTI neonatal e adulto e banco de sangue

Por que é boa para o bebê: é menos traumática. Se a criança estiver sentada ou for muito grande, a cirurgia evita que ela fique presa na hora de sair do canal do parto. O mesmo ocorre se houver descolamento de placenta. A cesárea é indicada em casos em que a mãe tem alguma infecção viral, como HIV ou herpes genital

Por que é boa para a mãe: é melhor quando o bebê é muito grande, causando desproporção entre a cabeça e a pelve da mãe, por conta da dificuldade que haverá em sua expulsão ou se a mãe sofrer de diabetes ou hipertensão

Quando não é recomendada: quando não houver motivos clínicos, e a mãe e o bebê estiverem saudáveis

PARTO NORMAL
Como é feito: comum em hospitais e maternidades, com ou sem a aplicação de anestesia ou outras drogas, como as de indução. Divide-se em:

Semideitada: a mulher fica encostada na cama, erguida a 45 graus, com as pernas ou os pés apoiados em um suporte. A saída do bebê é facilitada pela força da gravidade

De cócoras: a mãe permanece agachada, com os pés no chão. Seu companheiro fica atrás dela, segurando-a pelas axilas ou com o apoio de barras de ferro ou cadeiras. O acesso do médico ao bebê é mais difícil porque ele nasce a apenas 15 cm do chão. O parto feito nessa posição é mais rápido e mais saudável para a criança

De lado: na cama, deitada sobre seu lado esquerdo, a mulher estende a perna esquerda e deixa a direita dobrada. No momento do nascimento do bebê, a mulher recebe ajuda para facilitar a abertura da perna. Nessa posição, não há pressão do útero sobre a veia cava. Isso evita a diminuição do recebimento de oxigênio pelo bebê

Na água: não é possível aplicar a anestesia, mesmo no hospital. A mulher fica em uma banheira, com água aquecida a 36 oC. O ambiente alivia as dores das contrações e o estresse, além de aumentar a irrigação sanguínea e relaxar a musculatura. Permite um nascimento mais suave e natural, porque o bebê continua envolto em água, como no útero da mãe. E ele não se afoga, já que ainda respira pelo cordão umbilical por pelo menos 20 segundos depois do parto

Parto natural ou humanizado: sem o uso de anestesia ou qualquer outra droga, é realizado em hospitais, casas de parto e até mesmo na casa da família. Parteiras ou doulas podem conduzir o procedimento. Galileu recomenda: sempre consulte seu médico

Por que é bom para o bebê: segue o processo natural. A criança nasce na hora certa, a não ser nos casos de prematuros. Outro beneficio é que o tórax do bebê é comprimido ao passar pelo canal de parto, o que faz com que ele expulse secreções das vias respiratórias, tornando-o mais adaptado a respirar, já que seu pulmão expande-se lentamente depois do parto

Por que é bom para a mãe: além do benefício psicológico, decorrente da satisfação em poder dar à luz naturalmente, a recuperação é mais rápida e são menores as chances de complicações, como sangramentos ou infecções, por exemplo

Quando não é indicado: quando a mãe ou o bebê apresentam problemas que recomendam a realização de um parto cirúrgico – se a mulher tiver hipertensão ou diabetes, por exemplo.

NOVEMBRO AZUL ALERTA PARA SAÚDE DO HOMEM E CÂNCER DE PRÓSTATA

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O Novembro Azul é uma campanha mundial, criada na Austrália em 2003, e tem por objetivo conscientizar os homens sobre a importância dos cuidados com a saúde, que vão desde a adoção de hábitos de vida saudáveis até o diagnóstico precoce e prevenção de doenças crônicas, como o câncer de próstata.

Segundo estimativa da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), quase 50% dos brasileiros nunca foram ao urologista, aumentando o risco de descobrir o câncer em estágio avançado.

De acordo com dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA), a doença é mais incidente do que o câncer de mama e atinge cerca de 60 mil homens todos os anos no Brasil, sendo a neoplasia maligna mais comum no público masculino. Contudo, quando o câncer de próstata é detectado precocemente, o índice de cura ocorre em aproximadamente 90% dos casos.

O urologista do Hospital Universitário da UFPI, Hélder Damásio, reintera que o Novembro Azul é uma campanha mundial que tem como objetivo, não somente rastrear o câncer de próstata, mas alertar sobre os cuidados que o homem precisa ter com a saúde e que a importância do alerta do câncer de próstata se faz por ser a doença mais frequente no sexo masculino, perdendo apenas para o cânceres de pele não-melanoma.
“Com relação à prevenção, infelizmente, não há uma ação ou hábito que possa ser mudado que para prevenir a ocorrência do câncer de próstata, mas é possível fa-zer o diagnóstico precoce”, disse.

O câncer de próstata em estágio inicial geralmente não causa sintomas. “A grande ma-ioria dos pacientes com câncer não apresenta sintomas. Os pacientes que apresentam índi-cios, os tem por aumento benigno da próstata ou nos casos de câncer avançado. Por essas particulares é que nós solicitamos que os homens, acima de 50 anos, façam, pelo menos, uma consulta anual com o urologista”, explicou.

Durante a consulta para avaliação da próstata, o urologista realiza o exame do toque retal e solicita a coleta do exame de sangue, chamado PSA. Os exames são feitos separados, o toque retal é feito no consultório e o de sangue é laboratorial.
“Existem situações especiais em que a Sociedade Brasileira de Urologia recomenda que o rastreamento do câncer de próstata se inicie em uma idade mais precoce, a partir dos 45 anos. São os pacientes que têm histórico de câncer de próstata na família e de raça negra, nesses grupos as chances de surgimento da doença é maior”, acrescentou.

 

Fonte: Com informações do Diário do Povo do Piauí

EXPOSIÇÃO MOSTRA IMPORTÂNCIA DO PARTO NORMAL E HUMANIZADO

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Sentidos do Nascer surgiu da necessidade de trazer as pessoas para a nova realidade do parto

Hobo Mama / Flickr / CC BY

A exposição Sentidos do Nascer retrata a importância do parto normal humanizado. A exposição chega, a partir do próximo dia 30 de outubro e segue até 25 de novembro, no Shopping Conjunto Nacional, em Brasília. Para falar do assunto o Tarde Nacional entrevistou a coordenadora- geral de Saúde das Mulheres e Nacional da Rede Cegonha, do Ministério da Saúde, Esther Vilela.

Ela explica que a exposição surgiu da necessidade de trazer as pessoas para a nova realidade do parto. E avalia que atualmente no Brasil a assistência ao parto precisa ser mudada. Esther Vilela diz que muitas vezes a cesariana passou a ser encarada pelas mulheres, como uma fuga para o parto, que muitas vezes é encarado como um momento de terror.

A coordenadora explica ainda que a estratégia da Rede Cegonha é qualificar o cuidado com as mulheres na hora do parto-nascimento, para que ele seja satisfatório, humanizado, seguro e respeitoso para as mulheres.”O projeto convida os gestores de Saúde para que façam adesão ao programa, para alterar as práticas, transformando o parto normal num momento feliz, em vez de ser aquele momento ruim e de muita dor. O parto não necessariamente tem que ser ruim, pois esse modelo construído em que a mulher fica sozinha, sem acompanhante, sem se alimentar e ter suas necessidades básicas reconhecidas e atendidas, obrigada a ficar deitada muitas vezes, que é a pior posição para o parto”, esclarece.

Esther Vilela convida todos a visitarem a exposição para debater esse tema que não sai de pauta.

Acompanhe esta entrevista ao Tarde Nacional, com Fátima Santos, na Rádio Nacional de Brasília.

REFLEXÕES SOBRE O MUNDO DO NASCIMENTO

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O Parto Ativo Brasil faz reflexões sobre a revolução no mundo do nascimento em nosso país. Em 10 de junho de 2012, o programa dominical Fantástico, da Rede Globo, apresentou uma matéria sobre parto domiciliar. Entre comentários jornalísticos, imagens, depoimentos e recomendações de profissionais, estava a declaração do médico obstetra Jorge Kuhn, de São Paulo. Jorge Kuhn falou muito pouco, e foi bastante cauteloso. Disse apenas que o parto domiciliar só é possível quando a mulher faz um bom acompanhamento pré natal e está em ótimas condições de saúde, assim como seu bebê.

No dia seguinte, vários jornais divulgavam a notícia de que o CREMERJ (Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro) abria denúncia ao médico por suas declarações, alegando que o parto domiciliar planejado era muito arriscado e perigoso para mãe e bebê.

Como muitos profissionais brasileiros já sabem, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda e estimula o parto domiciliar:

“3- As entidades que atuam em cuidados pré-natais devem considerar, junto com organismos estatais correspondentes, a facilitação do parto natural domiciliar, promovendo políticas de habitação e proteção técnico-científica.” – Recomendações da Conferência Internacional para o Parto – Fortaleza, 22 a 26 de abril de 1985.

O parto domiciliar planejado é oferecido na rede pública de saúde de vários países como Reino Unido, França, Alemanha e Holanda. Já existem inúmeras pesquisas sobre o assunto demonstrando que, quando os devidos critérios são seguidos, o parto domiciliar planejado é seguro e saudável. As taxas de complicação e intervenção dos partos domiciliares costumam ser bem pequenas.

No entanto, o ponto aqui não é o mérito do parto domiciliar, mas sim a reação das pessoas – profissionais da área, bem como pais e mães interessados no tema de parto e maternidade-paternidade conscientes.

Houve um levante nacional. Um protesto que se transformou em passeatas em mais de 30 cidades brasileiras, levando às ruas milhares de pessoas para reivindicar o direito das mulheres de escolherem seu local de parto. Cartazes, apitos, gritos de guerra (não sou mãezinha, eu sou mulher… Eu vou parir onde eu quiser – o parto é da mulher – respeito ao parto é respeito à mulher – parto humanizado no SUS para todas – escolher o local do parto é um direito individual – contra a violência obstétrica, e tantos outros dizeres). Mulheres grávidas com barrigas pintadas, crianças saudáveis e felizes assumindo os megafones nas ruas e declarando, com suas vozes delicadas (eu nasci em casa, e olhe como sou forte!). Profissionais de renome internacional, como o famoso médico francês Michel Odent, a importantíssima parteira mexicana Naoli Vinaver (que já atendeu mais de 1500 partos domiciliares no México), compareceram em diferentes cidades. Janet Balaskas enviou seu apoio diretamente de Londres, além de uma extensa carta de apoio à Jorge Kuhn e ao parto domiciliar (tal material, assim como o histórico das marchas do parto domiciliar de várias cidades, encontra-se em nossa página no Facebook – parto ativo brasil).

Foi a primeira vez que o assunto saiu da escuridão e virou tema de debates, reportagens e polêmicas. Naquela ocasião, a denúncia da violência obstétrica vivida por tantas mulheres nas maternidades e hospitais brasileiros ganhou corpo e voz.

Passadas algumas semanas, o CREMERJ lança então as seguintes diretrizes (resoluções 265 e 266-12), em resposta ao movimento pelo parto domiciliar: médicos estavam proibidos de atender parto domiciliar ou fazer parte de equipe de apoio ao parto domiciliar, hospitais deveriam proibir a entrada de obstetrizes, parteiras e doulas, e mulheres em trabalho de parto, oriundas de parto domiciliar que precisassem de remoção, não deveriam ser admitidas em ambiente hospitalar!

Tais diretrizes ferem uma série de direitos humanos e profissionais. Conselhos de Medicina de outros estados, como o CREMEPE, de Pernambuco, o CREMERB, da Bahia, e o CFM (Conselho Federal de Medicina) se declaram contra tais deliberações, afirmando que, apesar de não indicarem o parto domiciliar, respeitam a autonomia tanto do médico quanto da paciente. A FEBRASGO (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia) declarou que não concorda com as resoluções do CREMERJ porque ferem direitos individuais. Seu presidente, Etelvino Trindade, em entrevista no dia 03 de agosto 2012 (o link da entrevista está em nossa página do facebook), afirma que a FEBRASGO não concorda com a proibição aos médicos de atenderem parto domiciliar, e que 95% dos partos acontecem sem complicações. Ele diz ainda que é importante informar a população e realizar um bom pré-natal, para que possíveis problemas sejam detectados e tratados. Coren-RJ (Conselho Regional de Enfermagem do Rio de Janeiro) e Ministério Público processaram o CREMERJ.

E a população foi novamente às ruas em inúmeras cidades, desta vez para defender o parto humanizado e respeitoso, o direito da mulher de decidir sobre seu corpo e seu bebê. As marchas aconteceram no início do mês de agosto, em mais de 32 cidades brasileiras.

O Parto Ativo Brasil participou intensamente das passeatas. Divulgou, organizou, cantou, assumiu megafone para ler as recomendações da OMS e resultados de pesquisas. Levamos a situação brasileira para o âmbito internacional, informando profissionais de outros países. A revista Midwifery Today, dos Estados Unidos, que é uma revista técnica para profissionais do parto, publicou notas sobre a grave situação brasileira.

Alguns meses antes, em março, Ana Carolina Franzon, co-editora do blog Parto no Brasil e mestranda em Saúde Pública pela USP e Ligia Moreiras Sena, bióloga formada pela Universidade Estadual Paulista, mestre em Psicobiologia pela Universidade de São Paulo, doutora em Farmacologia pela Universidade Federal de Santa Catarina,  doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva da mesma universidade,  e autora do blog www.cientistaqueviroumae.com.br, coordenaram uma ação virtual contra a violência obstétrica institucional. “Trata-se do TESTE DA VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA. O teste esteve ativo durante mais de 40 dias coletando respostas, tendo sido divulgado e compartilhado por mais de 70 blogs brasileiros. Os resultados da ação foram divulgados em 21 de maio do mesmo ano. O objetivo maior dessa ação foi problematizar a grave e delicada questão da violência institucional à qual tantas mulheres são submetidas durante o nascimento de seus filhos, desnaturalizando essa prática que vai contra os direitos humanos e levando a comunidade virtual a discutir o assunto, objetivos que foram amplamente alcançados.” (Extraído do blog Cientista que Virou Mãe).

Ligia Moreiras Sena, Ana Carolina Franzon, Bianca Zorzam e Kalu Brum produziram um vídeo-documentário popular entitulado “VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA – A VOZ DAS BRASILEIRAS”, que foi lançado no Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva em novembro/2012.  Nele, várias mulheres dão seus depoimentos comoventes e doídos sobre humilhações, maus tratos, procedimentos invasivos e desnecessários que tanto elas quanto seus bebês sofreram nas maternidades e hospitais brasileiros, às vezes com consequências seríssimas para a vida e saúde dos envolvidos.

Você pode assistir o vídeo no blog www.cientistaqueviroumae.com.br

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